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Cobertura completa: I Oficina sobre EaD online para professores da Faculdade de Medicina

Encontro aconteceu nos dias 18 e 19 de junho. Na imagem, Prof. Luiz Roberto de Oliveira, coordenador do NUTEDS e idealizador do projeto, dá as boas vindas aos docentes.

Em junho, o NUTEDS realizou a I Oficina sobre EaD online para professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (FAMED/UFC). O projeto, realizado em parceria com o Núcleo de Desenvolvimento de Educação Médica (NUDEM), tem como objetivo apresentar noções iniciais sobre a EaD online e suas possibilidades de uso em disciplinas da graduação, visto que 20% das atividades em cursos dessa natureza podem ser realizadas a distância.

Ministrado pelo Prof. Dr. Luiz Roberto de Oliveira, coordenador geral do NUTEDS, com participação especial da Profa. Dra. Andréa Soares, coordenadora de Tutoria do Núcleo, o conteúdo abordou diversos tópicos, desde os mais conceituais sobre a importância de conhecer as teorias de aprendizagem subjacentes às práticas da EaD online, até o uso de ferramentas como podcasts, videocasts, criação de ebooks, videocolaboração com webconferência e Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Para além dessas questões, no entanto, destacou-se a “compreensão de que nesse processo de ensino/aprendizado online o importante não é apenas a tecnologia em si, mas sim o aspecto pedagógico”, conforme pontuou Oliveira.

Participantes – A oficina aconteceu em dois dias (18 e 19 de junho) e em turnos diferentes de quatro horas para facilitar a participação dos docentes na reta final do semestre letivo. Neste primeiro momento, as vagas foram limitadas a 20 por dia e abertas apenas para professores do curso de Medicina. Ao todo, vinte docentes se inscreveram. Uma amostra pequena de um universo muito maior, mas ainda assim de grande importância.

“os docentes que consentiram em participar desse evento são, na verdade, um pequeno grupo de pioneiros, de professores que demonstram estar mais antenados com mudanças que devem ser instituídas.”, salientou o prof. Luiz Roberto de Oliveira, para quem é preciso empreender uma mudança de paradigma em relação ao uso de novas ferramentas no ensino e sobretudo em relação à EaD online na área da saúde. “Há a necessidade de um grande movimento que desperte nos nossos docentes maior interesse no uso da EaD online e suas diversas ferramentas para melhorar a qualidade do ensino na saúde. Nossos docentes estão ainda muito apegados aos modelos mais tradicionais de práticas educativas, e essa mudança na saúde é mesmo lenta, por diversos motivos. Mas em algum momento deveríamos começar alguma tentativa. Trata-se, fundamentalmente, de vencer uma questão cultural.”, afirma.

Embora o caminho seja árduo, como lembra o professor, a oficina marca o primeiro passo nesta direção e o interesse dos participantes mostra que há margem para desdobramentos, sobretudo pela carência de iniciativas desta natureza na Faculdade. É o que demonstra comentários como o da Profa. Sandra Falcão, uma das inscritas nesta edição do projeto:

“Eu achei extremamente gratificante participar deste encontro. A gente tem muita dificuldade de interagir com as novas tecnologias digitais para ajudar na aprendizagem dos alunos e não conhecemos muitas das ferramentas que existem. Então, ter o Know how de uma equipe que está habituada a isso, que pode dar esse suporte, e saber que a universidade está linkando essas tecnologias na educação é muito importante. Certamente vai ajudar bastante em nosso dia a dia.”

Para saber que avaliação podemos fazer neste primeiro momento após o encontro e o que esperar para o futuro, conversamos rapidamente com mentor desta iniciativa, prof. Luiz Roberto. Abaixo, segue a íntegra das respostas.

1 – Que avaliação o senhor faz deste piloto de oficina sobre EaD para docentes da FAMED?

É cedo ainda para fazer essa avaliação. De toda a comunidade de docentes, veja, apenas pouco mais de uma dezena de colegas se dispôs a vir no evento, e ainda assim porque oferecemos dois dias, flexibilizando as oportunidades de participação. De um lado isso mostra que os docentes estão com muitas atividades, afazeres, e foi acertado oferecer duas opções de participação. Mas de outro lado deve ser considerado também que a sensibilização para esse tipo de atividade é ainda muito pequena. Há necessidade de um grande movimento que desperte nos nossos docentes mior interesse para que se sintam motivados ao uso da EaD online e suas diversas ferramentas para melhorar a qualidade do ensino na saúde. Nossos docentes estão ainda muito apegados aos modelos mais tradicionais de práticas educativas, e essa mudança na saúde é mesmo lenta, por diversos motivos. Mas em algum momento deveríamos começar alguma tentativa. Trata-se, fundamentalmente, de vencer uma questão cultural, tentando vencer crenças que se tornaram verdadeiros mitos, por conta de toda a tradição existente na área da saúde, onde a força da presencialidade tem status de postura essencial, tem valor como única atitude que valida as práticas de aprendizado. O mundo entretanto mudou, a sociedade mudou, de forma radical, e nesse alvorecer da 4ª revolução industrial, o paradigma principal é o da transformação digital. Persistir com velhas práticas por conta apenas do apego à tradição é inadequado e improdutivo. A universidade, caso isso não mude, vai caminhar na contramão de seu papel histórico, o de fazer avançar o conhecimento. Continuamos pensando em como preparar os profissionais de saúde do futuro, com docentes de hoje e de ontem, com currículos de ontem e de anteontem… Mas os alunos de hoje já estão no futuro. Dessa forma, os docentes que consentiram em participar desse evento, são na verdade um pequeno grupo de pioneiros, de professores que demonstram estar mais antenados com mudanças que devem ser instituídas. Há, o que é importante, um certo número deles que se manifestou interessado mas que não pode participar por impedimentos diversos.

2 – Há uma perspectiva futura para o projeto?

Sim, é sempre preciso ser otimista e pensar a médio e longo prazo, não apenas no curto prazo. O ideia é montar um plano de ofertas que ofereça diversas oportunidades e em diversos momentos e com diversas atividades. Essa primeira oficina foi uma espécie de laboratório.Foram mencionados diversos tópicos, desde os mais conceituais, sobre a importância de conhecer mais temas como as teorias de aprendizagem subjacentes às práticas da EaD online, o uso de ferramentas tais como podcasts, videocasts, criação de ebooks, uso de videocolaboração com webconferência, uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), além da compreensão de que nesse processo de ensino/aprendizado online o importante não é apenas a tecnologia em si, mas sim o aspecto pedagógico, e em especial, o andragógico (por estarmos trabalhando com adultos), e em busca da autonomia para atingir a estágio da heutagogia, quando se aprende cada vez mais e melhor. As Tecnologias Digitais da Informação e das Comunicações (TDIC) se tornam indispensáveis por isso mesmo, por conta do novo paradigma do aprendizado ser ao longo da vida e da avassaladora produção de novos conhecimentos e sua rápida difusão. Sem uso dessas novas ferramentas digitais qualquer profissional cedo estará obsoleto. Há ainda outro aspecto: na atual Sociedade do conhecimento, todo e qualquer profissional deve ter mais de uma habilidade. É como se tivéssemos hoje a comprovação tácita do que há muito afirmou o professor pesquisador português Abel Salasar: “- Quem só sabe medicina, nem medicina sabe”.Finalmente, há ainda um último ponto, fundamental, a meu ver: toda e qualquer tecnologia deve ser avaliada, na verdade, somente pode ser corretamente avaliada pelo prisma da filosofia moral, ou seja da ética. O que leva a ser indispensável instituir o ensino da Saúde Digital como tema obrigatório nas graduações da párea da saúde, para permitir a reflexão sobre o uso das diversas tecnologias digitais na saúde, adquirindo assim consciência ética. Ou seja, é o caso se se indagar: é ético deixar profissionais de saúde adentrarem o mercado de trabalho sem formação em Saúde Digital? Essa oficina, portanto, é o começo dessa longa caminhada. Difícil, árdua, mas indispensável. Oxalá tenhamos a compreensão de nossos gestores universitários e recebamos o necessário apoio.